22 de setembro – Simbolismo

Escrito por Bruno Riggs em . Publicado em Cicloativismo

22/09 – 19H – VAMOS AO EVENTO CICLÍSTICO NO DIQUE DO TORORÓ

Vem aí o Dia Mundial sem Carro. E os moradores de Salvador tem mais uma oportunidade de aderir à data, próximo dia 22, participando de um passeio de bicicleta, a partir das 19 hs, do Dique até a Av. Centenário.

Em tempos de debate sobre Mobilidade Urbana, nada mais oportuno que despertar na população o espírito solidário, também, no que se refere ao trânsito caótico de Salvador. Os transtornos provocados pela quantidade absurda de carros que hoje trafegam e emperram as ruas e avenidas desta capital são muitos. E a todos preocupam. A questão-chave é: chegou a hora de se andar mais sem automóvel. É um desafio, sem dúvida, para uma cidade de cerca de três milhões de habitantes e até hoje sem boas alternativas de transporte de massa. Um cochilo, que nem se pode atribuir a um prefeito só e sim a equívocos e omissões de muitas administrações.

Este é o sentimento da “massa crítica dos ciclistas”, que são os ciclistas que se organizam autonomamente e decidem pôr nas próprias mãos seus destinos, desafiando o caos urbano, e esse destino será o evento Ciclístico do Dique do Tororó, programado para 22 de setembro, Dia Mundial sem Carro. A data, que entre nós será marcada por ações da Massa Crítica de Salvador, ainda faz muita gente torcer o nariz. Muitos incrédulos, que desprezam ou nem querem ouvir falar nessa história de ficar sem andar carro, mesmo que seja por um dia. Ao contrário, o Dia Mundial sem Carro vem conseguindo sensibilizar parte dos habitantes das principais metrópoles do mundo, e no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro. A adesão cresce, inclusive, proporcionalmente à postura de políticos e gestores que vão adiando soluções drásticas para resolver os problemas do trânsito de cidades como Salvador.

Segundo a “massa crítica”, o evento do próximo dia 22 vai servir para as pessoas mostrarem que não estão nada satisfeitas com o caos urbano e os engarrafamentos monstros que diariamente infernizam a capital baiana. O evento do Dique de Tororó pode se repetir em outros bairros, em forma de outras ações, do tipo a pé, de skate, de patins. Enfim, contanto que sirva para mostrar que as pessoas entenderam a importância simbólica de ficar um dia sem usar carro… Sinal de alerta Esta mobilização pacífica e prazerosa pode até servir de alerta às autoridades. É verdade que Salvador está ficando uma cidade sem espaços para o pedestre circular, para quem gosta de se deslocar de bicicleta…os ciclistas advertem que a orla marítima é uma exceção – As avenidas e ruas da chamada parte mais moderna de nossa capital não reservam grandes calçadas para as pessoas circularem livremente. De fato, salvo a Avenida Manoel Dias da Silva, não existe mais aquele prazer bem soteropolitano de se caminhar nas largas e bem conservadas calçadas. Convém salientar que nas áreas do Iguatemi, da Av. Tancredo Neves e outras, os urbanistas e construtores da nova Salvador só priorizaram os espaços para os carros. Quase nada ficou para o pedestre.

Os ciclistas de Salvador se opõe firmemente a esta falsa tendência modernizante, apontando o sofrimento e os riscos a que os pedestres estão expostos ao circularem por estreitos e acanhados passeios existentes naqueles trechos. Isto quando eles existem. Ou então estão tomados por veículos, cujos proprietários irresponsavelmente estacionam ali. Tem-se a sensação de que o bom-senso urbano se perdeu no emaranhado de obras públicas que surgem nesta cidade. Muitas delas, inclusive, fracassadas, como o famigerado metrô (meia-sola) de Salvador. Mas, que tal pensar num dia sem carro? É o que pretende a “massa crítica” de Salvador, tanto que convidam a todos, principalmente aqueles que se opõem ao caos que esse progresso urbano pelo avesso transformou Salvador, a participar do evento ciclístico do Dique do Tororó, em 22 de setembro, a partir das 19h.

O evento vai marcar o Dia Mundial sem Carro.

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Bruno Riggs

Bruno do Nascimento Santos Pereira possui graduação em Sistemas de Informação pela Faculdade Hélio Rocha. Bruno Riggs