Corrente da bicicleta – Como e por que motivo limpar é tão importante.

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos, Dicas

Apesar de ser a parte mais importante do grupo propulsor de sua bicicleta, muitas pessoas mal tomam conhecimento da mesma, a ponto de só se preocuparem com ela no momento em que os problemas surgem. A corrente de bicicleta é a responsável por transmitir a energia que aplicamos no pedal até o cassete da roda traseira. Ou seja, sem corrente, sem pedaladas em sua bike. Preparamos um guia rápido que auxiliará a não só compreender melhor o funcionamento da corrente, com também prolongar sua vida útil, através de uma manutenção e lubrificação eficiente.

A corrente

A maioria das correntes de bicicletas são fabricadas em liga de aço, sendo que alguns modelos top de linha são revestidos com níquel para maior resistência a oxidação. As correntes são compostas de: Componentes 1 – Placa Externa 2 – Placa Interna 3 – Pino 4 – Rodilha Em um sistema de transmissão em bom estado, as rodilhas da corrente encaixam perfeitamente nos dentes das coroas e dos pinhões do cassete da roda traseira. Quanto mais uniforme o contato, mais eficiente e mais silenciosa será o funcionamento da transmissão da bicicleta.

Desgaste

Coroas
Caso não seja trocada regularmente, a corrente poderá causar danos no cassete e nas coroas. Na foto, um cassete com apresentando sinais de desgaste (formato dos dentes abaulado ao invés de redondos)
Assim como os demais componentes do grupo transmissor, a corrente possui uma vida útil. A medida em que a corrente vai sendo utilizada, a abrasão decorrente do contato físico com o cassete e as coroas, aliada à tração exercida pela força da pedalada vai literalmente ‘esticando’ a corrente e aumentando a sua folga, a ponto de não mais permitir um perfeito contato entre as peças do grupo. Quando isto ocorre, o câmbio passa a pular as marchas e, caso não seja trocada logo, passará a desgastar os outros componentes do grupo. Daí a importância de se trocar regularmente a corrente, caso contrário o barato poderá sair muito caro. Via de regra, uma corrente de qualidade deve ser trocada a cada 1000km (bicicletas mountain bike) e 1500km (bicicletas de estrada ou passeio). Entretanto, fatores como os descritos abaixo poderão influir positiva ou negativamente no período de troca da corrente:

Fatores que contribuem para o desgaste da corrente

  • Estilo de Pedalada – Forçar demais o grupo transmissor trabalhando com marchas pesadas em excesso contribuirá significativamente para um maior desgaste ou mesmo com a quebra da corrente;
  • Combinação na relação coroas e cassete – Evite a todo custo trabalhar com relação ‘cruzada’ (maior pinhão do cassete com coroa maior e vice-versa);
  • Clima – Moradores de cidades com clima úmido ou próximo ao litoral terão a vida útil da corrente reduzida. Armazenar a bicicleta molhada ou com lama também contribuirá para o desgaste precoce;
  • Tipo de terreno – Terra, pedriscos, lama e areia agem como um abrasivo na corrente das bicicletas. Por isto existe uma desgaste maior de correntes de bikes trilheiras em relação as que rodam exclusivamente no asfalto;
  • Estado de conservação das coroas e do cassete – Assim como uma corrente em mal estado pode comprometer o resto do grupo, a recíproca é verdadeira.;
  • Lubricação – Item fundamental para a manutenção e durabilidade da corrente. Limpe sempre a corrente antes de lubrificá-la.
 

Como medir o desgaste

Chain Tool Como se pode ver, existem diversas variáveis que determinam quando deveremos realizar a troca da corrente. Felizmente, existem ferramentas que nos indicam o nível de desgaste da corrente e seu iminente momento de troca. É o caso de ferramentas como os modelos Chain Checker CC-2 e Chain Checker CC-3.2, fabricados pela empresa Park Tool. Estas ferramentas trabalham medindo o nível (em porcentagem) do estiramento da corrente. A maioria dos fabricantes de correntes recomendam que as mesmas sejam trocadas quando tiverem entre 0.5% a 0.75% de estiramento. Toda boa oficina mecânica deve possuir este tipo de ferramentas e informar ao cliente o momento certo de trocar a corrente de sua bicicleta.

Cuidados e manutenção da corrente

O tema limpeza e conservação da corrente da bicicleta é algo controverso. Existem centenas de maneiras de se limpar e lubrificar a corrente, de forma que apresentarei alguns dos métodos que já utilizei pessoalmente, o que não quer dizer que existam outros métodos que funcionem tão bem ou melhor. A primeira parte do processo é limpar de forma eficiente a corrente. Com o uso, a corrente acumula poeira e outras partículas abrasivas que contribuem com o desgaste da mesma. por este motivo, não se recomenda lubrificar uma corrente sem antes limpá-la corretamente. Aplicar o lubrificante sobre a corrente suja irá fazer com que o óleo retenha a sujeira da corrente, acelerando o desgaste.

Limpeza

CIF
O desengordurante para cozinha Cif é bastante eficaz na limpeza de todas sua bike
Sempre que possível, utilizo produtos biodegradáveis. Além de ambientalmente corretos, não possuem cheiro forte e não atacam as delicadas peças da bicicleta e nem a pintura do quadro. Até pouco tempo eu utilizava produtos do tipo Citrus Degreaser, fabricados por empresas como a Finish Line e Park Tool. São produtos a base de óleo de casca de frutas cítricas que possuem alto poder desengordurante e ainda tem um cheirinho muito bom! Infelizmente, são bastante caros. Por esta razão, hoje eu utilizo um produto bastante conhecido, fácil de se encontrar em supermercados e relativamente barato. Trata-se do desengordurante Cif. Ele limpa a corrente e demais peças da bike de maneira eficiente e ainda tem a vantagem de poder ser diluído para a limpeza do quadro da bike, o que o deixa com um excelente custo x benefício. Evite a todo custo a utilização de óleo diesel, querosene e outros produtos a base de petróleo, que atacam peças plásticas e a fibra de carbono de sua bike. Existem duas maneiras de se limpar a corrente. Uma delas, retirando completamente a corrente da bicicleta. Outra maneira, é limpar a corrente mantendo-a na bike. Os dois métodos possuem vantagens e desvantagens, de forma que descreverei os dois:
Park Tool
O modelo da Park Tool CM-5.2 Cyclone Chain Scrubber, possui uma série de escovas rotacionais para deixar a corrente perfeitamente limpa.
Sem retirar a corrente Este sistema é o mais indicado para as pessoas que moram em apartamentos, ou que não querem perder muito tempo na manutenção de sua bicicleta. Existem uma série de produtos disponíveis nas lojas do Brasil chamados genericamente de Chain Scrubbers, que nada mais são do que uma espécie de máquina lava-correntes. Geralmente são constituídos de uma caixa acrílica com um sistema de escovas em seu interior. Basta encaixar a corrente na maquina, acrescentar seu produto de limpeza favorito dentro, fechar a máquina e, com s mãos, movimentar o pedivela. O movimento fará com que as corrente passe pelas escovas e pelo produto de limpeza, deixando-a limpa em questão de segundos. As marcas Park Tool (CM-5 Cyclone Chain Scrubber) e Finish Line (Chain Cleaner) possuem modelos de chain scrubbers com preços mais ou menos em conta. Após esta etapa, utilize uma escova para limpar as coroas, o cassete e as polias do câmbio. enxague com água e seque muito bem antes de ir para a próxima etapa (lubrificação).
Chave de Corrente
A chave de corrente permite a correta montagem/desmontagem da mesma
Retirando a corrente Esta é a maneira preferida dos mecânicos profissionais, pois permite uma limpeza mais profunda. A primeira coisa a se fazer é desmontar ou ‘quebrar’ a corrente. Para isto, é necessária a utilização de uma ferramenta apropriada, como a Proffesional Chain Tool da Shimano Pro. A maioria das correntes de bicicleta do mercado possui um dos pinos em cor e/ou formato diferente dos demais. Trata-se do pino master, onde deveremos utilizar a ferramenta para ‘quebrar’ a corrente e retirá-la da bike. Alguns fabricantes tornam nosso trabalho mais fácil. É o caso da SRAM , que utiliza uma peça chamada de Power Link para emendar a corrente. Neste caso, não há a necessidade de se utilizar ferramentas para ‘quebrar’ a corrente, basta desmontar oPower Link. Após a retirada da corrente, utilize seu produto de limpeza favorito para lavar superficialmente as laterais da corrente. Para isto, utilize uma escova. Após esta etapa, utilize uma garrafa com a boca larga (uma caramanhola velha é excelente para isto) com cerca de 200ml de desengordurante e coloque sua corrente lá dentro. Feche a tampa e agite vigorosamente. Deixe o produto agir por mais alguns minutos e repita a operação. Após esta etapa, enxague com água em abundância, seque a corrente com um pano macio e que não solte fiapos. Após esta etapa, recoloque novamente a corrente na bicicleta com o auxílio da chave de corrente.

Lubrificação

Finish Line
Utilize uma gota de lubrificante em cada elo da corrente. Em seguida, retire o excesso com um pano seco
Uma vez colocada a corrente na bicicleta, chega a hora de lubrificá-la. Uma corrente corretamente lubrificada, além de ser mais silenciosa, terá uma vida útil maior. O segredo de uma correta aplicação de óleo lubrificante está na colocação do mesmo nas rodilhas da corrente, que são as partes que ficam em movimento e fricção constante na corrente. colocar óleo em excesso ou nas placas, além de desperdício, fará com que poeira e outros detritos fiquem impregnados na corrente. Com a corrente completamente seca, coloque uma gota de lubrificante em cada elo da corrente. Em seguida, com um pano seco e que não solte fiapos retire o excesso de óleo. Esta operação deve ser realizada, preferencialmente na véspera da sua pedalada.
ATENÇÃO!!! Nunca lubrifique a corrente de sua bike com:
  • Óleo automotivo
  • Óleo ‘Singer’
  • Graxa de qualquer espécie
  • WD-40 (Exceto os da linha específica para bikes)
Para lubrificantes a base de cera, como o excelente Squirt, o procedimento é um pouco diferente. Com a corrente completamente seca e livre de resíduos oleosos, aplique generosamente o lubrificante em toda a superfície da corrente. Espere secar e repita a dose. Não há a necessidade de se retirar o excesso. Seguindo este guia, você prolongará a vida útil da corrente de sua bicicleta consideravelmente. Uma corrente que é utilizada constantemente sob uma manutenção que a mantenha limpa e bem lubrificada irá durar mais do que uma corrente que quase não é utilizada, mas que não recebe manutenção. Lembre-se: ao notar sintomas de desgaste da corrente, troque-a por uma nova assim que possível. O custo será inferior em comparação a troca de cassete e coroas desgastados pelo uso de uma corrente vencida.   Fonte: mtbbrasilia.com.br

Resolução nova do Denatran sobre transportes de Bicicletas. Se ligue que é de 2016!

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos, Dicas

Para quem não se informou sobre a nova Resolução do Denatran sobre transportes de bicicletas (transbike) , sugiro ver o que consta no link para não receber multas:
DENATRAN.GOV.BR
RESOLUÇÃO Nº 589, DE 23 DE MARÇO DE 2016. Altera a Resolução CONTRAN nº 349, de 17 de maio de 2010.

O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO (CONTRAN), usando da competência que lhe confere o art. 12 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e conforme o Decreto nº 4.711, de 29 de maio de 2003, que dispõe sobre a coordenação do Sistema Nacional de Trânsito (SNT); e Considerando o constante no processo nº: 80000.021496/2013-17;

RESOLVE:

Art. 1º O art. 4, da Resolução CONTRAN nº 349, de 17 de maio de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 4° Nos casos em que o transporte eventual de carga ou de bicicleta resultar no encobrimento, total ou parcial, quer seja da sinalização traseira do veículo, quer seja de sua placa traseira, será obrigatório o uso de régua de sinalização e, respectivamente, de segunda placa traseira de identificação fixada àquela régua ou à estrutura do veículo, conforme figura constante do anexo II desta Resolução.

§1° Régua de sinalização é o acessório com características físicas e de forma semelhante a um para-choque traseiro, devendo ter no mínimo um metro de largura e no máximo a largura do veículo, excluídos os retrovisores, e possuir sistema de sinalização paralelo, energizado e semelhante em conteúdo, quantidade, finalidade e funcionamento ao do veículo em que for instalado.

§2° A régua de sinalização deverá ter sua superfície coberta com faixas refletivas oblíquas, com uma inclinação de 45 graus em relação ao plano horizontal e 50,0 +/- 5,0 mm de largura, nas cores branca e vermelha refletiva, idênticas às dispostas nos para-choques traseiros dos veículos de carga;

§3° A fixação da régua de sinalização deve ser feita no veículo, de forma apropriada e segura, por meio de braçadeiras, engates, encaixes e/ou parafusos, podendo ainda ser utilizada a estrutura de transporte de carga ou seu suporte.

§4° A segunda placa de identificação será lacrada no centro da régua de sinalização ou na parte estrutural do veículo em que estiver instalada (parachoque ou carroceria), devendo ser aposta em local visível na parte direita da traseira.

§5° Fica dispensado da utilização de régua de sinalização o veículo que possuir extensor de caçamba, no qual deve ser lacrada a segunda placa traseira.

§6° Extensor de caçamba é o acessório que permite a circulação do veículo com a tampa do compartimento de carga aberta, de forma a impedir a queda da carga na via, sem comprometer a sinalização traseira.”

Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Alberto Angerami Presidente

Guia prático para montar sua bike

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos, Dicas

A Bicicleta pedaço a pedaço. Entenda melhor o que cada componente faz e monte uma super bike. Se não quiser montar, você saberá escolher a melhor bicicleta para o uso que pretende. Para quem esta no mundo das bkes mais elaboradas muitas vezes se pega meio fora da conversa quando os iniciados começam a falar de caixa de direção, coroa com 32 dentes, etc. Para dar uma ajuda a estes iniciantes elaboramos um beabá de uma bicicleta. Assim você saberá pra lado da bike olhar quando o assunto for roda livre, por exemplo. Dividimos a bike em três partes: Quadro e conjunto de direção, rodas e grupos de comando e freios. Esta divisão visa também a ajudar a quem esta pensando em montar sua própria bike, pois esta é uma maneira objetiva de comprar as peças.

Quadro

O quadro pode ser considerado a parte mais importante da bike. Não só pelo visual que ele pode dar a sua magrela, mas porque se ele não estiver adequado a você o problema pode ser grande. Na hora de escolher um você deve proceder da mesma maneira que escolhe uma roupa. Além de bonita ela deve servir e te deixar confortável, ou você escolhe uma calça que te deixa encurvado. O quadro é a mesma coisa, se for pequeno você irá pedalar como um corcunda.

A primeira coisa, a saber, na hora de pedir um em uma loja é o número do quadro. Este é dado em polegadas. Para adultos, vai de 17” para mais de vinte. Além do tamanho o desenho também influi. Mas para dar um guia básico em poucas linhas, para pessoas de cerca de 1,60 m de altura, o tamanho indicado é o 17, para 1,70m o 19 e para pessoas de 1,80m pra cima, os de 20” ou maior são os indicados. Tendo isso na cabeça, você já saberá que tamanho de quadro experimentar. Isso mesmo, tem que ver “se cai bem”, pois o tamanho das suas pernas, tronco e braços também influi na escolha. As vezes uma marca de quadro que tem lá seu desenho, pode ser muito linda aos seus olhos, mas nada agradável ao seu tronco. Experimente nas lojas, bikes dos amigos ou onde você puder.

Um outro detalhe é o ângulo da roda dianteira em relação ao quadro, que define a distância entre eixos. Quanto mais curto esta distância, a bike fica mais ágil para trilhas estreitas, daquelas cheias de árvores e pedras. Com a roda mais encaixada no quadro, a bike fica mais arisca também. Do lado contrário, se o ângulo for mais aberto a bike faz curvas mais abertas, mas fica mais confortável para passeios longos, como cicloturismo. Veja que tipo de uso você quer fazer da sua magrela antes de gastar os tubos num quadro.

Mesa e guidão

A mesa é a ligação entre o garfo e o guidão. Mais que somente uma ligação, ela é o ajuste fino do tamanho do quadro com relação ao tamanho do seu tronco. Outro ajuste que a mesa proporciona é na altura do guidão, o que influi na distribuição de peso do corpo entre o selim e as mãos. Este detalhe é muito importante para quem quer fazer viagens de bike. Estar “deitado” mais à frente, pode ser muito bom para subidas de trilhas, mas em uma viagem de centenas de quilômetros, complica e muito. A ideal é sempre distribuir o peso entre em selim e guidão visando o equilíbrio entre conforto e desempenho.

A escolha do guidão é definida pelo uso que se vai dar a bike. Se for passeio, todos praticamente servem, alguns podem ajudar na elevação do apoio das mãos para equilibrar na distribuição de peso. Agora se for fazer down hill, a resistência deve ser levada muito em conta.

Suspensão ou garfo

Se você tiver a certeza absoluta de que só vai pedalar em asfalto liso toda a sua vida, o garfo é a melhor opção: Mais leve e muito mais barato. Agora, se você já for subir e descer de calçada, pedalar por terrenos irregulares, não tem como fugir de uma suspensão dianteira: A segurança e o conforto aumentam.

A principal função do amortecedor é manter o pneu no chão aumentando a segurança nas descidas em trilhas de terra. Poupar os braços é uma conseqüência. Hoje, dificilmente alguém monta uma MTB sem suspensão dianteira. Neste item, existem opções a serem feitas.

São basicamente três tipos: elastômetro, óleo e ar. A mais comum e largamente usada é a primeira. Como sempre a escolha passa pelo uso que você pretende dar à bike. Para passeios pelo campo e cicluturismo, as de elastômetro resolvem muito bem o problema. Este tipo requer pouca manutenção e não te obriga a levar um tubo com ar comprimido na mochila. Se o uso for em DH ou em trilhas muito intensas, pode-se optar pelas outras duas. Estas duas últimas têm uma eficiência maior em situações extremas, mas requerem mais cuidados. Na de ar, por exemplo, calibragem constante.

Outra coisa importante nas suspensões é o tamanho do curso que ela flexiona. Esse valor tem a ver com a pancada esperada para suas descidas e também tem que estar de acordo com o quadro. Os quadros são desenhados tendo em mente um valor de curso: 80, 100, 120, mm. Verifique o indicado para o quadro que você escolheu nas informações do fabricante.

Quanto à suspensão traseira, ela tem a mesma função de manter a roda no chão, mas só é indicada para down hill. Ela ajuda muito pouco em melhorar o conforto do seu traseiro junto ao selim. É melhor economizar a grana e investir num selim e uma bermuda de primeira linha. E olha que vai sobrar muita grana. Além do mais, nas subidas, o movimento de sobe e desce proporcionado pela suspensão traseira, rouba energia que deveria te empurrar para cima do morro. E em viagens não dá pra colocar o alforje.

Caixa de direção

Com esse nome até parece algo de outro mundo, mas não passa de duas “arruelas” com rolamentos que fazem o cano da suspensão girar no quadro de maneira suave ao mesmo tempo em que a mantém presa. Parece contraditório, fixar e girar, mas é justamente o que ela deve fazer. Manter a suspensão no seu lugar sem tirar o movimento para os lados que te possibilitam direcionar a roda. A fixação no caso de suspensão se da com os anéis que envolvem o cano. Estes anéis são pressionados por uma “aranha” que vai acima da mesa e se agarra na parte interna do cano travando tudo. A pressão deste conjunto tem que ser tal para deixa a roda virar, mas sem jogo. Uma maneira de saber se o conjunto esta solto é, se ao frear a roda da frente, a bike começar a trepidar. Uma outra dica que cabe aqui. O cano da suspensão pode ser usado para regular a altura do guidão. Geralmente o cano precisa ser cortado, mas você usar este corte para ajustar a altura do conjunto de direção. Quanto mais alto ficar, mais anéis você devera colocar. Uma maneira de você já saber de antemão que tamanho cortar é experimentar bikes alheias e contar quantos anéis tem a que mais lhe ficou confortável.

Grupos de câmbio e freio

Se o quadro é a estrutura da bike que deve lhe vestir com conforto, o sistema de câmbio e freio poderia ser considerado o coração da sua bicicleta. É com ele que você vai ritmar suas saídas ao mundo sobre duas rodas. As opções são muitas, e só pela variação de preço entre os vários modelos já se pode afirmar que você terá muito que pensar e ponderar para escolher. Há sempre aquela máxima de que quanto mais caro melhor, mas isso só cabe pra quem tem dinheiro sobrando e não quer esquentar a cabeça. Se este é seu caso, pode parar de ler aqui e ir a uma loja e pedir um Deori XTR ou um SRAM x.10 que tá resolvido. Mas prepare-se para gastar por volta de dois mil reais só neste item. Cada sistema é projetado para um tipo de uso, mais uma vez, você precisa saber até onde quer ir com sua magrela antes de decidir que sistema escolher. Se bem que esse item, como coloquei, é composto de um monte de pequenas pecinhas que fazem suas pernas renderem mais que o dobro numa subida e seus dedos muito mais poderosos na freada ao fim de uma serra maravilhosa. A principal preocupação na hora de escolher um grupo é a segurança. Não só pela qualidade dos freios, mas segurança também vem da resistência dos cubos para que você não fique com a roda bamba no meio de uma viagem.

Pedivela

Há duas coisas sobre este componente onde você vai depositar todas suas energias para rodar o mundo: tamanho das coroas e tamanho da alavanca. Quanto maior a haste e menor as coroas, mais rendimento de força você terá. O contrario te dará mais velocidade e mais músculos nas pernas. Uma outra coisa que você poderá levar em consideração é o peso de todo sistema. Hoje em dia, há pé de vela com o movimento central integrado e todo oco para aliviar o peso.

Movimento central

É um rolamento onde o pé de vela é colocado e em torno do qual você irá girar suas pernas. O importante desse item é você observar o diâmetro certo no seu quadro e buscar um que seja selado, pois esta parte da bike sempre esta cheia de areia e água.

A colocação deste carinha é também bem delicada, as roscas são muito precisas para que o movimento circular do pedalar não o solte. Qualquer folga ali faz aparecer um barulho que deixa você e amigos que estão pedalando ao seu lado de saco cheio com meia hora de pedal.

Catraca

Ela é responsável pelas relações das sete, oito ou nove marchas intermediárias de cada opção das coroas da frente. Uma bike com 24 marchas, nada mais é que oito opções para cada uma das três coroas da frente. Mas aqui vale uma observação de que nem sempre quanto mais marchas, mas leve é pedalar. O que define a relação de força é o raio da coroa da frente com o raio da traseira. Essa relação também é expressa em números de dentes das coroas. Quanto menor o raio no pé de vela e menos dentes, e maior o raio traseiro, com mais dentes é mais leve a bike. Existem catracas com uma coroas super-wide só para aquela subidas malucas que a gente inventa fazer carregado com 20 quilos no alforje.

Cambio dianteiro

Esta parte é composta de uma braçadeira uma mola e uma guia que faz a corrente mudar de coroa no pé de vela. Apesar de uma aparência simples, a precisão de um bom sistema pode fazer a diferença na hora de engatar uma marcha mais leve no começo de uma subida, ou até desregular menos em condições extremas de chuva e lama. Esta é uma regra geral para o aumento de preço dos modelos: precisão em condições adversas. Situação comum em competições de MTB. Se você não pretende entrar nessa seara, já pode economizar um pouco.

Câmbio traseiro

Este sim é bem mais complexo que seu primo que vai o meio da bike. Ele é responsável por levar a corrente precisamente de uma coroa para outra na catraca. E é ai que um câmbio bom e bem regulado ajuda no conforto de seu passeio. Câmbios de plástico tendem a desregularem com muita facilidade e sob sujeira de areia de uma praia ou lama te deixa doido querendo trocar marcha sozinho enquanto você esta se desmanchando para subir uma ladeira. Se você for só pedalar no parque perto de casa em dias de sol, um câmbio simples resolve muito bem suas necessidades. Agora, se você já pensa em pegar uma trilha de terra em passeios de um dia, um que já tenha os componentes de aço ou alumínio é o mais indicado. E observe que os câmbios médios, tipo Alívio e X.5, não são tão caros pelo conforto que proporcionam. Agora se você é fã de relógios suíços e gosta de ver sua bike trocar as marchas com a mesma precisão, pode botar a mão no bolso e partir para a turma dos mil reais.

Comandos

Sobre os comandos de cambio podemos destacar que eles são de dois sistemas, rapid-fire e ….. Agora já há uma variação que agrupa o freio com a toca de marchas no mesmo local. Para trás freia, para baixo e pra cima troca as marchas. Então aqui vai mais de gosto do biker escolher o sistema que mais lhe agrada. A facilidade de manutenção também deve ser levada em conta para quem quer sair em viagens.

Cubos

Hoje existe a venda dois sistemas de cubos: rolamento e esferas. Os sistemas de rolamentos, por serem blindados, dão a impressão de serem mais resistentes. Mas junto com essa resistência vem o peso. Por outro lado, os fabricantes dos outros modelos conseguiram avançar muito a ponto de aliarem leveza e resistência sem deixar nada a desejar. E ainda, esse tipo de construção permite a troca parcial do sistema, o que faz dobrar a vida útil com um pequeno gasto após dois ou três mil quilometro rodados.

Os cubos que integram as bikes vendidas em mercados agüentam no máximo mil quilômetros, isso sem muito tranco. Portanto, projete sua quilometragem anual e você saberá o que comprar.

Freios

Aqui esta uma das mais acaloradas discussões dos últimos tempos em passeios de bikers: Disco ou V-break. Ainda existe um sistema mais simples, mas nem vamos abordar aqui, pois o preço de um v-break simples é ridículo frente a segurança que ele oferece. Hoje, se você quer segurança e praticidade tem que ser de v-break pra cima. Antes de discutir se vale a pena colocar um freio a disco. Devemos dizer que dentro do sistema V temos vários modelos com sofisticações que fazem muitos ainda resistirem em trocar para disco. Um exemplo é o Deori XT que tem todo um aparato de balanços para fazer a sapata de borracha encostar precisamente paralela ao aro. Isso torna a frenagem macia e segura. Outros V podem pegar em ângulos diferentes e aí exigem mais força ou sensibilidade dos seus dedos para trazer maciês e precisão na hora H. Os freios a disco chegaram para ficar, pois mesmo sob barro intenso resolvem bem o problema. São mais precisos e macios que os outros, mas alguns ciclistas dizem que para se ter o melhor de um freio a disco tem que ser o hidráulico. Eles são fornecidos com o acionamento a cabo ou a óleo. Por via hidráulica o freio funciona bem melhor, mas o galho é que caninos de óleo passando por um quadro de bike que passar por entre rochas de uma trilha sempre podem se encontrar de forma inesperada, e aí, vai-se o seu super sistema de freio. Então mais uma vez, observar o que você pretende fazer com sua bike e o quanto longe você pretende ir de uma oficina de bike pode fazer diferença. É pensando justamente nisso que cicloturistas preferem cabos. Eles são facilmente carregados com sua câmara extra e você mesmo pode trocar caso algo de errado no meio da Chapada Diamantina. E convenhamos, para quem pretende pedalar a uma média de 13 km/h. Um freio simples já resolve o problema.

Corrente

A corrente parece tudo igual, mas para cada modelo de grupos, uma corrente é indicada. Basicamente o que difere é a resistência. A corrente é forçada não só no sentido da tração, mas lateralmente também. Quando você usa as marchas das pontas na catraca a corrente pode ficar em diagonal. Todo este esforço desgasta. Uma corrente bem usada sai da bike mais extensa do que quando entrou. Portanto uma corrente certa é fundamental. Outro detalhe, as correntes vêm geralmente maiores do que necessária. Isto, porque há diferenças do tamanho das coroas. Para colocá-la, você talvez tenha que tirar alguns gomos.

Rodas

Uma parte importante das rodas á foi mencionada no item anterior, os cubos. Isto porque, você pode comprá-los no grupo, o que pode gerar alguma economia do que comprar tudo separado.

A partir dos cubos montamos as rodas com o aro e os raios. Depois, é só revestir com um pneu para o seu tipo de passeio e sair por aí. Vamos ver o que avaliar em cada componente.

Aro

O aro é uma peça na qual você não deve economizar. Relativamente barato em relação ao resto da bike, ele simplesmente estraga uma viagem se resolver dar problemas. Antes de escolher pelo jeitão invocado que ele pode dar a sua bike, observe que tipo de alumínio é utilizado na fabricação. Principalmente se você optar por v-brake. Pedalar com lama e areia desgasta, e muito, as paredes de um aro. Portanto, muita atenção antes de sair em viagem com aros cavadinhos nas laterais. Outra característica para resistência dos aros são as paredes duplas. Isso já é algo definitivamente incorporado na tecnologia dos aros, mas não custa repetir. Aro sem parede dupla é furada, literalmente, pois basta a fita interna andar um pouco e lá se vai a câmara de ar.

Pneu

Assim como os câmbios, você vai encontrar pneus de bike de 20 a 200 reais. E como dizem os ingleses, você recebe pelo que paga. Hoje em dia há muita tecnologia agregada aos pneus de bicicletas, a melhor maneira de escolher um é conversar muito com companheiros de pedal a cada parada de um passeio. Duas coisas velem ser lembradas. Se você anda muito em asfalto, rodantes mais finos ajudam no desempenho. Se vai se enfiar mais em areia, um mais largo pode ajudar. Cada fabricante propagandeia seu pneu pelo uso que se pode dar a ele. A outra coisa, é que, os mais baratos não suportam pressões a mais da recomendada. Verifique que alguns vêm com a indicação de 40 a 60 libras de calibragem, outros só 45. Estes que só tem uma calibragem, não devem ser forçados, pois as paredes laterais do dito podem esgarçar e você vai ficar com a bike bamba. Isso se ao estourar em uma descida. Hoje em dia um pneu em torno de 60 reais já dá uma boa qualidade para seu passeio, mas já ouvi relatos de borrachudos de mais de 100 reais que fazem milagres em estradas de terra. Fazem você ficar grudado ao chão sem roubar energia da rolagem.

Câmara de ar

Só é lembrada quando cutucada. O que podemos dizer é que, você deve ter sempre uma de reserva. E lembrar que para evitar  pequenos furos, deve-se usar uma fita protetora no aro de qualidade. O custo desta fita é ridículo para o que ela evita. Outro acessório que evita bobeiras é o Mr Tuff, uma fita colocada entre a câmara e o pneu. Ela evita pequenos furos bobos. Principalmente se o pneu utilizado for do tipo misto, liso no meio. Esta parte lisa ajuda em estradas, mas um mínimo caco de vidro pode te atrasar o passeio sem o Mr. Tuff. Este guia foi extraído na íntegra do Onde Pedalar, um excelente site para os amantes do pedal.

Acesse http://www.ondepedalar.com/

Na Bahia já tem seguros para Bicicletas!

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos, Dicas

cartaz-segurosbike1 Amigos de Bike fechou parceria com a Multiseguros – Argo – Seguro on line de bicicleta contra danos materiais e corporais e também em viagens. Vamos nos proteger e também ao nosso patrimônio. Viage tranquilo –  seguro viagem (de bicicleta) e seguro de vida para esportes radicais, onde se inclui a utilização da bicicleta. Para obter cotação on line, informe que acionou através do site/grupo ou comunidade Amigos de Bike. Em breve teremos mais novidade: Simule/contrate aqui: http://www.argo-protector.com.br/campanha/msbadm/bikes1

Seguro para Bicicletas

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos

Cada vez mais brasileiros têm investido em bicicletas de alto custo para a prática esportiva, lazer e meio de transporte. Simultaneamente, há um aumento nas ocorrências de roubos e furtos de bikes que leva, consequentemente, à consciência de que este equipamento representa um patrimônio que precisa ser protegido. A contratação de um seguro é a opção cada vez mais procurada para este fim.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
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Seguro para bicicletas
Foto: Ilustração sobre foto de Depositphotos
Já se foi o tempo em que a expressão “ladrões de bicicleta” fazia alusão aos criminosos inexperientes. Sim, há ainda os oportunistas, mas surgem cada vez mais especialistas, meliantes que sabem avaliar as bicicletas top de linha e se concentram nelas no momento de agir. Esses casos, infelizmente, aumentam na mesma medida em que mais pessoas aderem a uma boa bicicleta. As estatísticas alertam ao aumento do risco em todo o país, com maior concentração no sul e sudeste. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, houve um aumento de furtos de bike no estado de quase 30% em 2014, comparado a 2013. Curitiba – PR registra, neste início de 2015, média de um roubo de bicicleta a cada dois dias. A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina registrou, nos primeiros 41 dias do ano, 340% mais assaltos a ciclistas que a média diária de 2014 em Florianópolis. No portal Bicicletas Roubadas, criado por Pedro Cury em 2001 com o objetivo de ajudar na recuperação de bikes furtadas e mapear áreas de risco, São Paulo aparece no ranking com maior casos de roubos e furtos, representando mais de 40% das ocorrências nacionais (ressalta-se que este banco de dados é alimentado pelo próprio ciclista vítima do infortúnio e não substitui o registro de Boletim de Ocorrência).

Um problema mundial

O aumento na insegurança dos ciclistas não é um problema exclusivo do Brasil. Mesmo em países desenvolvidos há locais perigosos de se pedalar. Veja alguns dados pelo mundo: – Segundo estudo publicado no portal Geld.de, 326.159 bicicletas foram roubadas na Alemanha em 2012, sendo que quase metade desapareceram nas principais cidades alemãs com mais de 100 mil habitantes. Dificilmente os ladrões são pegos. Suspeita-se até da atuação de pequenos bandos especializados em roubos de bicicleta que realizam arrastões nas cidades alemãs. – Uma força-tarefa foi anunciada na cidade norte-americana de Portland para tentar reduzir em 50% os roubos de bicicleta em cinco anos, segundo o portal oregonlive.com. Cerca de 2.700 bicicletas avaliadas em dois milhões de dólares foram relatadas à polícia como roubadas em 2014. – Há um tipo de trava extremamente resistente que é denominada “new yorker”, uma referência à cidade de Nova Iorque, nos EUA, um dos locais com maior e mais sofisticado índice de roubos de bicicletas no mundo. – O sistema de bicicletas Vélib estreou em Paris no ano de 2007, com 20.600 bicicletas alugadas a um euro por hora. Dois anos depois, 80% das bikes haviam sido depredadas ou roubadas. – A Holanda é um país conhecido pelas bicicletas: há 16,7 milhões de pessoas e 16,5 milhões de bicicletas: aproximadamente uma para cada habitante. Mas os holandeses utilizam bicicletas mais “surradas e velhas”. A explicação: cerca de 20% das bikes são roubadas por ano. Amsterdã tem fama de ser a capital do roubo de bicicletas do mundo.
Além de mais bicicletas de alto valor estarem circulando, o furto de bicicleta é um crime de baixo risco: “dificilmente o meliante é pego, e quando é, as consequências são mínimas”, diz um estudo do blog norte-americano priceonomics. Resumo da ópera: tem muito ciclista que investiu um valor elevado em seu equipamento, mas acaba usando uma segunda bicicleta, de menor valor, e deixa a “top” em casa para utilizar apenas em competições ou pedaladas em grupo. Deixar a melhor bicicleta em casa não é o desejo da maioria, e também não é garantia de segurança, já que mesmo dentro de casa ela pode ser alvo dos meliantes. Diante deste cenário, o seguro para bicicleta surgiu e tem se popularizado como uma solução para proteger este bem. Segundo o Sindicato dos Corretores do Estado de São Paulo (Sincor), a procura por seguros contra furtos e roubos de bicicletas no estado paulista triplicou entre 2012 e 2014. A Estar Seguros, criada por Luiz Fernando Giovannini há dez anos, é pioneira no seguro de bicicletas no Brasil e atualmente administra milhares de apólices. “Hoje em dia temos clientes segurados de ‘a a z’, em decorrência da insegurança que o biker sente ao sair com sua magrela, seja ele atleta ou entusiasta”, diz Luiz. Também em 2005, a Kalassa Brasil Insurance também passou a oferecer o seguro. Com a demanda em alta, é crescente o número de corretoras oferecendo o seguro que atenda ao público ciclista. A Neptunia Corretora de Seguros, por exemplo, trabalha com seguro para bikes há cinco anos. Segundo Douglas Dias, comercial técnico da corretora, “a Neptunia tem 62 anos de mercado, e em 2010 entrou no nicho de seguro para bicicletas dada a necessidade identificada por nossos sócios, que são esportistas. Hoje, temos centenas de clientes em todas as regiões do Brasil”. Outro exemplo é a seguradora Argo Brasil, que em parceria com a corretora Better Seguros, oferece seguro Protector Bikes. Segundo Janete Tani, gerente de riscos patrimoniais da Argo, “nosso seguro basicamente é procurado por atletas que buscam garantir a integridade de seu equipamento, bem como a tranquilidade em seus treinos e provas por todo o país, uma vez que a cobertura é nacional”.

E no meu caso, seguro é a solução?

Para responder a esta pergunta, vale recorrer ao conceito de seguro. Os artigos 757 a 802 do Código Civil, além de legislação extravagante que lhe diz respeito, tratam amplamente do tema “seguro” no direito brasileiro. Sucintamente, seguro é um contrato pelo qual a seguradora, mediante recebimento de um valor monetário estipulado denominado prêmio, assume perante o segurado a obrigação de indenizá-lo caso ocorra um sinistro, resultante de um evento futuro, possível e incerto (risco) indicado no contrato. Tais riscos podem estar relacionados à vida, saúde, direitos ou patrimônio do segurado, como é o caso da bicicleta. Quanto maior o “risco”, mais sentido faz realizar o seguro. Para ilustrar, um caso bem extremo é o da Escola de Bicicleta Ciclofemini, de São Paulo – SP, que realiza cursos com atividades práticas ao ar livre, em parques da capital paulista, sujeita, portanto, a um grau de risco elevado. Segundo Claudia Franco, idealizadora desta instituição educadora, “como somos uma escola, temos muitas bicicletas, algumas de valor importante. Sabendo do aumento de roubos e furtos de bicicleta, decidimos segurar todas as bicicletas para termos um pouco mais de tranquilidade ao utilizá-las. Assim como temos seguro da casa, do carro, seguro de vida, resolvemos fazer também o seguro das bicicletas”. Outro ponto a ser levado em consideração para analisar a viabilidade do seguro é o valor do bem. A maioria das seguradoras exige que a bike tenha um valor mínimo, que gira em torno de R$ 3.000,00. Patrícia Collese, que atua no ramo de seguros a mais de 25 anos, afirma: “o perfil dos segurados é de pessoas preocupadas com proteção, prevenidas e que normalmente pedalam duas ou mais vezes por semana. Elas possuem uma bicicleta de um custo um pouco mais elevado que a média”.

Coberturas

Claudia Franco já precisou acionar o seguro, contratado com a Estar Seguros, e conta sua experiência. “No nosso caso, aconteceu tudo conforme o previsto no serviço contratado. Um bandido nos abordou e tomou a bicicleta de nossas mãos. Apresentamos o Boletim de Ocorrência, comprovando este fato, e recebemos o valor do seguro, deduzido da franquia (que ainda é alta). O seguro que contratamos cobre o roubo, seja a mão armada ou não, mas não cobre o furto simples. Ou seja, se você for ao banheiro de um parque público e deixar sua bicicleta em um paraciclo, e o ladrão romper o cadeado e levar sua bike, o seguro não ressarce. Se sua bike for avariada em caso de queda, o seguro também não cobre o dano”. É importante analisar as cláusulas da apólice do seguro oferecido a você e avaliar se o que você está contratando atende suas expectativas, lhe deixa seguro diante dos riscos a que você se sente sujeito. Ao fazer a cotação, converse com o corretor sobre o uso que você faz e as situações em que se sente ameaçado. Muitas seguradoras oferecem a opção de seguro residencial com extensão para a bicicleta. A Collese Seguros é um exemplo. Segundo Patrícia Collese, “se alguém liga pedindo se comercializamos seguro para bicicleta, respondemos que não. O que comercializamos é um seguro residencial, que cobre também a bicicleta. A cobertura vale para os seguintes sinistros: incêndio, subtração, colisão e danos elétricos, desde que a bicicleta esteja devidamente guardada no interior da residência habitual do segurado. Também em trânsito, desde que conduzida pelo segurado; sendo transportada em veículos adequados e/ou adaptados para tal fim, e responsabilidade civil: reembolso das despesas decorrentes dos danos corporais e/ou materiais causados a terceiros, em razão de acidentes ocasionados pela utilização da bicicleta relacionada na apólice de seguro, desde que em quaisquer das circunstâncias o próprio segurado seja o condutor”. A seguradora Kalassa, por exemplo, desenvolveu produtos específicos para este nicho. Em 2005 passou a oferecer seguro para bicicletas, e também oferece seguro de vida específico para ciclistas e triatletas, além de seguro viagem com cobertura para práticas esportivas. Segundo Paulo Kalassa, “o seguro cobre bicicletas a partir de R$ 3 mil contra roubo enquanto pedala, roubo enquanto transporta a bike no seu veículo, roubo dentro da residência e danos na bike enquanto transporta no veículo”.

Entenda os termos

Risco: evento inesperado, incerto, aleatório, possível, real, lícito e fortuito que, ao ocorrer, gere prejuízo ou danos materiais e pessoais, previsto no contrato. Sinistro: realização do risco previsto no contrato, resultando em perdas para o segurado. Seguradora: entidade jurídica legalmente constituída para assumir e gerir os riscos especificados no contrato de seguro. Segurado: pessoa física ou jurídica que transfere à seguradora o risco de um prejuízo. Prêmio: valor monetário que o segurado concorda em pagar à seguradora para validar o contrato. Franquia: valor que o segurado deve arcar cada vez que um sinistro ocorrer e o seguro for acionado. Indenização: valor que a seguradora paga ao segurado pelos prejuízos decorrentes de um sinistro.
Na literatura destaca-se como três pilares essenciais do seguro o risco, a mutualidade e a boa-fé, cuja ausência constitui causa de nulidade de contrato. Este dado é importante e justifica algumas exclusões importantes consideradas por praticamente todas as seguradoras, como situações de agravamento de risco. Por exemplo, a bicicleta estacionada em local que não seja a residência habitual do segurado, roubada enquanto o ciclista se ausenta, não é indenizada. Além disso, não estão cobertos acessórios de uso pessoal não acoplados à bicicleta, como o capacete, por exemplo.

Quanto custa?

Ao procurar uma corretora para fazer a cotação, o ciclista deve ter em mãos um documento fiscal de compra da bicicleta. Algumas seguradoras, além disso, realizam uma vistoria da bike. A Neptunia, por exemplo, pede que o cliente realize uma vistoria on-line para análise. “O próprio interessado acessa o link da companhia de seguros e faz o up-load de seis fotos: da bike inteira, do selim, pedivela, câmbios, número de série e acessórios. De posse do número do laudo mais as informações pessoais, emitimos a apólice”, diz Douglas. Com o valor do bem estabelecido, calcula-se o valor anual do seguro e da franquia, em caso de sinistro. Na Argo, segundo Janete Tani, “o processo de contratação é bem simples e para bicicletas novas pode ser feito 100% on-line. Os documentos necessários são nota fiscal ou recibo, fotos da bicicleta com número de série e dados pessoais do ciclista. Já para bicicletas usadas, poderá ser solicitada uma vistoria em alguma loja do ramo credenciada. Temos atendimento em todo o Brasil”. A Estar Seguros cobra 5% do valor da bicicleta por ano, e franquia de 10%, com mínimo de R$ 400. A Kalassa segura bicicletas a partir de R$ 3.000 e utiliza uma tabela de valor mínimo anual de acordo com a faixa de preço da bike. A primeira faixa cobre bicicletas de R$ 3.000 a R$ 8.000, com valor mínimo anual de R$ 500,00 e franquia de R$ 1.000. Para bicicletas com valores maiores, o valor do seguro também fica em torno de 5%. No caso de seguro residencial, Patrícia afirma: “havendo sinistro da bicicleta, e o segurado tendo contratado o seguro residencial, o caso vai para a análise da corretora, sempre com o intuito de repor o bem”. O nicho de seguro para bicicletas ainda tende a crescer e evoluir no Brasil, adaptando-se à nossa realidade e necessidades, com corretores cada vez mais especializados, garantindo ainda mais tranquilidade para o ciclista. Se você tem uma bicicleta de valor maior, mas se sente intimidado em certas situações, com medo de ser assaltado ou furtado, avalie a alternativa de realizar um seguro. Ter alguma garantia de reposição do seu bem e proteção ao seu patrimônio lhe deixarão mais à vontade para aproveitar sua bicicleta do jeito que você sonhou ao adquiri-la.