Pés x Pedal

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos, Dicas

Fonte: http://audaxsp.wordpress.com/dica-3-pedalada-perfeita/

Dica 3 – Pontos de contato – pés x pedal

(por Richard Dunner)

Seguindo a nossa seqüência de artigos sob pontos de contato vamos falar agora do pé e do pedal.

Os nossos pés junto com as nossas pernas são os instrumentos principais para a propulsão da nossa bicicleta e tem que ter os meios mais adequados para executar estes movimentos de forma eficiente.

Retomando as premissas iniciais, vamos nos lembrar que, para ciclistas que pedalam longas distâncias, é importante praticidade e conforto. Assim, a escolha do pedal e da sapatilha, nesta ordem, são essências.

Pedais

Na historia da bicicleta, muito cedo percebeu-se que era importante ter o pé na posição correta em cima do pedal. Desta forma, depois de aprimorar os pedais de plataforma, desenvolveu-se o firma pé para manter o pé, como diz o nome, em uma posição mais firme em cima dos pedais. O pedal com firma pé foi utilizado durante décadas sem grandes alterações, ate que no final dos anos 80, Bernhard Hinault, um dos grandes corredores profissionais começou a utilizar pedais de encaixe nas corridas.

O pedal de encaixe usando um clipe no pedal e tacos na sapatilha foi inventado pelas empresas de esqui alpino, que buscavam diversificar a sua produção para acabar com a ociocidade nas fábricas no verão. As vantagens do novo pedal eram obvias. O sistema se impos rapidamente nas competições, passando depois gradualmente para o ciclismo em geral.

Hoje, achamos as seguintes opções no mercado (veja fotos anexas):

1. Pedal de plataforma

2. Pedal de plataforma com firma pé

3. Pedal de encaixe com clipe de MTB

4. Pedal de encaixe com clipe de Speed

Conforme avançamos na nossa lista acima, vai aumentando a rigidez da fixaçao do pé no pedal e vamos nos direcionar cada vez mais para o ciclismo de competição.

Lembrando as necessidades do ciclista de longa distância, prefiro as primeiras três opções, por poder usar sapatilhas que permitem andar normalmente. Assim, podemos evitar acidentes, sobre tudo quando estamos cansados e temos dificuldades para nos movimentar.

A terceira opção, pedais de MTB, é na minha opinião a melhor porque combina praticidade com bom aproveitamento da força. O pé fica sempre na posição correta em cima do pedal e a sapatilha usa um taco embutido na sola.

Na quarta opção, pedais com clipe para Speed, vamos ter um pedal para alto desempenho. Este tipo de pedal exige tacos que ficam por cima do nivel da sola da sapatilha (sobressalentes) e somente vamos poder andar como pés de pato. Já vi ciclistas experientes quebrando um taco, tendo que caminhar uma distância maior devido a uma pane, e consequentemente perder a prova.

Pedal de plataforma

Firma pé para sem clipe

Sapatilha

Tendo escolhido os pedais, podemos escolher a sapatilha apropriada, que será um tênis, uma sapatilha de MTB (onde os tacos ficam embutidos na sola) ou uma sapatilha de Speed (com tacos sobressalentes = por cima da sola).

Independentemente do pedal a ser usado, a sola tem que ter uma rigidez maior que um sapato ou tênis de uso diário. Para pedais de plataforma, a sola pode ser um pouco mais flexível, porque o pedal tem uma área de apoio maior. No caso de pedais de encaixe, onde a superfície do pedal é menor, a sola tem que ser mais rígida. Para escolher o tamanho, lembre-se, que depois de longas horas de pedal o pé incha, portanto, recomendo usar um número maior do que usa no seu calçado diario. Costumo usar de meio a um número maior, dependendo do modelo. Experimente a sapatilha com uma meia relativamente grossa. Isto, porque uma meia um pouco mais grossa ajuda no ajuste das imperfeições do pé para a sapatilha, e por questões de higiene. Se a sapatilha estiver apertando em algum lugar, descubra por que. Não é um bom sinal. Para o ajuste fino, lembre-se também da palmilha. Dependendo do seu tipo de pé, cavo, normal ou chato, pode fazer uma grande diferença.

Em 2010 passei por uma experiência interessante. Tinha comprado uma sapatilha de MTB nova, formato e tamanho perfeitos, comecei a usar, e parecia tudo em ordem. Pedalei algumas distâncias maiores, e de repente, em um treino començou a doer à planta do pé esquerdo. Gradualmente as dores viraram crônicas e, no ápice da minhas dores, tive que usar palmilhas mais moles até nos sapatos de passeio.

Retornei para a sapatilha antiga e a dor desapareceu. Voltei a usar a sapatilha nova e a dor voltou. Isto, sem a sensação de que apertasse em algum lugar. Ai percebi que a palmilha tinha um leve levantamento, na parte central dianteira. Troquei as palmilhas e a dor desapareceu. Foi com esta sapatilha que pedalei PBP 2011 sem nenhuma dor.

Se sentir desconforto, dor ou dormência (formigamento) no pé, investigue. O problema pode ser pequeno, mas com conseqüências dolorosas.

Sapatilha Speed – (tacos sobressalentes)

Sapatilha Speed – (tacos sobressalentes)Sapatilha MTB – (tacos embutidos na sola)

Sapatilha MTB – (tacos embutidos na sola)

Posicionamento do pé no pedal

Tendo decidido os pedais e sapatilhas a serem utilizados, falta o ajuste final do pé com o pedal para pedalar de forma eficiente.

As elaborações seguintes servem para qualquer tipo de pedal, seja com ou sem clipe. O posicionamento do pé em cima do pedal determina o melhor aproveitamento da força aplicada e pode evitar problemas físicos (dores, tendinites e lesões musculares).

Olhando de lado para o seu pé (veja o primeiro desenho), a ponta do metatarso do dedão, popularmente conhecido como “a bola do pé”, tem que ficar posicionado levemente na frente do eixo do pedal.

Assim, olhando o pé de cima (veja o segundo desenho), a ponta do metatarso do segundo dedo vai ficar exatamente em cima do eixo do pedal.

No caso de usar sapatilha com taco para pedais com clipe, o taco tem que ser fixado na sapatilha de tal forma que a parte central deste fique exatamente na ponta do segundo e o terceiro metatarso (partindo do metatarso do dedão).

Além do posicionamento longitudinal do pé no pedal, o ângulo de posicionamento transversal é muito importante.

A sua forma de posicionar os pés no pedal, vai ser igual a sua forma de pisar quando caminha na rua. Sentado no selim da sua bicicleta, olhando para o seu pé, vai colocar o pé no pedal automaticamente na forma mais confortável, com a ponta do pé olhando para dentro, reto ou para fora. Usando pedais de plataforma vai ficar no ângulo transversal correto.

No caso de pedais com clipe de encaixe (veja o segundo desenho), vamos fixar o taco na posiçao longitudinal correta, com a parte central na altura da ponta do segundo e terceiro metatarso. A ponta do taco ficará entre o segundo e terceiro dedo do seu pé no ângulo transversal correto. Dependendo do posicionamento da ponta do seu pé em cima do pedal, eventualmente, o ângulo terá que ser corrigido.

Um exemplo típico de consequencias de posicionamento errado do pé no pedal eu presenciei um domingo de manhã, pedalando atrás de uma ciclista. Percebi que enquanto ela pedalava a perna esquerda movimentava-se normalmente na vertical mas a perna direita oscilava lateralmente. Isto acontece pelas seguintes razões:

1. Existe uma lesão ou deformação de joelho, perna ou pé

2. e/ou o taco foi colocado no ângulo transversal errado.

Este movimento sem coordenação significa um mau aproveitamento da força aplicada, e em uma segunda instância pode causar todo tipo de lesões.

Com tacos de MTB existe uma folga no movimento transversal, então, em geral não teremos problemas no posicionamento.

O posicionamento do taco de Speed pode ser mais delicado. Estes tacos foram desenhados para dar a menor folga possível, em qualquer direção, para aproveitar a força da forma mais eficiente. Assim, o posicionamento do taco tem que ser feito de forma precisa, fazendo-se eventuais ajustes depois de um primeiro pedal.

Passando para a prática, para quem usa pedais de encaixe e queira colocar o taco na sua sapatilha pessoalmente, achei um artigo muito detalhado no bikemagazine

Abraços a todos e bom pedal!

**para entrar em contato com o Richard Dunner, escreva para rdunner@uol.com.br.

Campanha “Plante uma Árvore”

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos

Doação de mudas para ação de reflorestamento na Serra do Gandarela-MG 19/03/2013

 
Ikebana Flores
*Guest Post. Texto: Thaís Alessandra (Coletivo Cirandar).

Fotos: Luciano Lima. Localizada entre a Serra do Curral e a Serra do Caraça, há 40km de Belo Horizonte – MG, Gandarela tem uma ampla diversidade: vegetação rupestre, canga e biomas de Mata Atlântica.

Por ser considerada uma das últimas reservas de Quadrilátero Ferrífero, a Serra do Gandarela está ameaçada por atividades mineradas. Além disso, a região abriga um amplo manancial de água potável: Bacias do Rio das Velhas e São Francisco, Rio Piracicaba e Doce.

Em decorrência dos abusos ambientais que estão ameaçando a região, a Ikebana Flores BH está divulgando a campanha PLANTE UMA ÁRVORE NO GANDARELA – que pretende plantar mudas típicas do cerrado nas áreas mais devastadas do Gandarela, em nome de todos que divulgarem a campanha através de sites ou redes sociais. As ações do plantio serão noticiadas no site da Ikebana Flores.

Durante a campanha, a floricultura estará distribuindo gratuitamente mudas típicas do cerrado (ipê branco, ipê amarelo, sucupira, entre outras.) a quem se interessar. Para pegar uma muda, basta comparecer de segunda-feira a sexta-feira, de 10h00 as 19h00, na Av. Getúlio Vargas, 1697, Savassi – Belo Horizonte-MG. O telefone é (31) 3227-4802.

Por Thais Alessandra

Coletivo Cirandar.

– See more at: http://www.sosma.org.br/blog/doacao-de-mudas-para-acao-de-reflorestamento-na-serra-do-gandarela-mg/#sthash.R5tFbth0.dpuf

CICLOVIA E CICLOFAIXA NÃO CABE EM TODO LUGAR. EDUCAÇÃO E RESPEITO SIM.

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos

VALCI BARRETO. BIKEBOOK.BLOGSPOT.COM MURALDEBUGARIN.COM FOLHADORECONCAVO.COM.BR JÁ DISSE LA ATRAS: O UNIVERSO ALEGRE DE SALVADOR, QUE FEZ E FAZ O MAIOR CARNAVAL DO PLANETA, FARÁ DE SALVADOR A CIDADE DAS BICICLETAS. ESCREVI ISTO NO MEU ZINE, ZINE QUE FEZ MUITO SUCESSO PELOS CORREDORES DA JUSTIÇA BAIANA HA ALGUNS ANOS . ESTAMOS CHEGANDO LÁ. AQUI, PARA OS INICIADOS E OS QUE QUEREM INICIAR NO USO DA BICICLETA COMO MEIO DE TRANSPORTE: PARA QUE A BICICLETA SEJA INSERIDA NAS RUAS DE SALVADOR, COMO INSTRUMENTO DE MOBILIDADE, NÃO PRECISA DE CICLOVIA NEM DE CICLOFAIXA. PRECISA EDUCAR O MOTORISTA PARA QUE ELE ENTENDA QUE A BICICLETA TEM O MESMO DIREITO DE ANDAR NAS RUAS QUE O CARRO. E PUNIR O MOTORISTA INFRATOR. A CICLOFAIXA E CICLOVIA, PERMITE QUE O MAL EDUCADO MOTORISTA PENSE ASSIM: ISTO AQUI NÃO É LUGAR DE BICICLETA. AI, AO VER UMA BICICLETA EM SUA FRENTE ELE QUE PASSAR POR CIMA, BUZINAR, TIRAR FINO. ELE ACHA QUE “LUGAR DE BICICLETA É NA CICLOVIA”. CAMPANHAS DE GOVERNO, DA COLETIVIDADE, DAS ESCOLAS PARA MOTORISTAS, PODERÃO MUDAR ESTA MENTALIDADE. O EXEMPLO QUE TEMOS DESTE COMPORTAMENTO É QUANDO VAMOS PEDALAR NA CENTENÁRIO: O MOTORISTA DE ÔNIBUS, PRINCIPALMENTE, QUER PASSAR POR CIMA DA BICICLETA, TIRAR FINO, PORQUE VÊ AO LADO UMA ÁREA QUE ELE IMAGINA SER CICLOVIA. O QUE CHAMAM DE CICLOVIA DA CENTENÁRIO, NÃO É CICLOVIA ALTERNATIVA DE TRANSPORTE. ALI É PARQUE, ÁREA DE LAZER. OS BICICLETEIROS BAIANOS DEVEM REPRODUZIR ESTA MENSAGEM. NOSSOS CICLISTAS TAMBÉM DEVEM EDUCAR-SE PARA ENTENDER QUE CICLOVIA NÃO É LUGAR DE CORRIDA NEM DE TREINAMENTO DE CORRIDA. MUITOS FAZEM DA CICLOVIA DA ORLA LOCAL DE TREINO, PASSAM CORRENDO E BUZINANDO, FAZENDO COM OUTROS CICLISTAS O MESMO QUE O CARRO FAZ COME ELE CORREDOR: SAI DA FRENTE QUE AQUI TÔ EU. SOMOS FAVORÁVEIS A CICLOVIAS E CICLOFAIXAS. MAS , MUITO MAIS POR UMA EDUCAÇÃO DO MOTORISTA. CIDADES COMO BARCELONA, TAO DECANTADA COMO AMIGÁVEL COM AS BICICLETAS. NÃO ERA ASSIM TAO AMÁVEL COMO HOJE. ESTIVE LA E CONVERSEI COM MUITA GENTE, TANTO MOTORISTAS, MORADORES, COMO CICLISTAS: PASSOU A SER MAIS AMÁVEL DEPOIS DA COPA, COM AMPLA CAMPANHA DO GOVERNO. AQUI, PODEMOS FAZER ISTO SEM ESPERAR PELA COPA NEM POR CICLOVIA. E, SE O GOVERNO NÃO FIZER, NOS MESMOS PODEMOS FAZER, PELO MENOS PELO CENTRO DA CIDADE. VAMOS FALAR ESTAS COISAS PARA MOTORISTAS DE TÁXI, PARA NOSSOS FAMILIARES, PARA MOTORISTAS DE ÔNIBUS, ALUNOS PROFESSORES. SOBRETUDO FALAR PARA OS PAIS QUE LEVAM LEVAM SEUS FILHOS E FICAM BUZINANDO EM FRENTE ÀS ESCOLAS: ELES, PAIS, ESTÃO ENSINANDO OS FILHOS A BUZINAREM MAIS FORTES FUTURAMENTE. EDUCAÇÃO E PUNIÇÃO DO INFRATOR QUE NÃO RESPEITA QUEM ESTA EM SUA FRENTE, VALE MAIS DO QUE CICLOVIAS E CICLOFAIXAS. MESMO PORQUE, EDUCAÇÃO CABE EM QUALQUER LUGAR. E CICLOVIA E CICLOFAIXA, NEM SEMPRE. ESPALHE ESTA IDEIA, INICIANDO EM SUA CASA. VALCI BARRETO, ADVOGADO, JORNALISTA, CICLOATIVISTA BAIANO, DO GRUPO DE CICLOATIVISMO BAIANO, JABUTIS VAGAROSOS   PS: COM O APOIO TOTAL DO GRUPO ITAPAGIPE É DO PEDAL, E DE GUY ADOLFO. VAMOS Á LUTA, A VITÓRIA VEM AOS POUCOS, AÇÕES DESTE TIPO DEVEM SER COPIADAS E ESPALHADAS NÃO SÓ NO MEIO CICLÍSTICO, MAS POR TODA A POPULAÇÃO, PARA REFLEXÃO E CONSCIENTIZAÇÃO.  

Capacete Dobrável

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos

Capacete dobrável cabe mais facilmente na bolsa dos ciclistas

A Carrera, marca internacional especializada em acessórios de moda e esportivos, desenvolveu um modelo dobrável, capaz de caber em uma bolsa. - Foto: DivulgaçãoMesmo não sendo obrigatórios por lei, os capacetes são essenciais para a segurança dos ciclistas. Pensando nisso, a Carrera, marca internacional especializada em acessórios de moda e esportivos, desenvolveu um modelo dobrável, capaz de caber em uma bolsa. A ideia leva mais praticidade aos ciclistas e evita que eles tenham que arriscar deixar o capacete amarrado junto à bicicleta ou ter que carregá-lo na mão por não caber na bolsa ou mochila. Além da facilidade, o equipamento também oferece mais segurança aos ciclistas. Por ser dividido em tiras flexíveis, unidas por um sistema de encaixe elástico, o capacete se adapta perfeitamente à cabeça. Conforme informado pela marca, ele é adequado para todos os tamanhos. Outro benefício que o capacete dobrável oferece é a ventilação, um problema que costuma incomodar muito os ciclistas. Enquanto pedalam e estão usando capacetes tradicionais, é comum os ciclistas sentirem coceiras e, com o tempo, o suor também deixa um mau cheiro no capacete. O modelo está disponível em diversas cores e a marca também oferece uma versão de luxo, para quem quer pedalar em alto estilo. Os acessórios estão disponíveis através do site da marca. Fonte: CicloVivo

Bahia Terra da ….

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Artigos

Noturna Dique-copyBAHIA Terra da …

Semana passada estive em Salvador, minha cidade natal, sou soteropolitano, morei na capital em alguns momentos da minha vida e posso dizer que conheço a cidade tão bem quanto às ruas de Londres e as trilhas de Serra Grande/Ba., pequeno distrito onde moro atualmente.

Costumo ir a capital sempre que preciso e confesso que não por prazer e sim para realizar uma missão seja ela familiar, médica etc..

A cidade como quase todo mundo já sabe, vive o pior momento de sua existência, têve oito anos de desmando do último prefeito, aliado a uma falta de planejamento que vem dos tempos do Governo Tomé de Souza. A cidade da Bahia de todos os Santos sofre com um trânsito que muitas vezes lembra o da cidade de Bombaim, na Índia, outras vezes com o caos das marginais de São Paulo. O problema do trânsito superou o problema da violência e o papo do dia sempre é sobre o trânsito, como está impossível chegar aos lugares e de fato está complicadissimo. Salvador pára todo o dia em engarrafamentos que sem motivo aparente para engarrafar, mas simplesmente pela quantidade enorme de veículos nas ruas a qualquer horário. O mais incrível é que apesar da zona instalada na metrópole, o futuro da cidade segue para um caminho estilo ao Filme Balde Runner, mas neste caso com robôs feitos no Paraguai.

Basta observar todos os projetos das novas vias, viadutos, corredores de ônibus etc. e verá que a forma de pensar e agir continua a mesma – priorizar o carro. Pensam os grandes “gênios” da engenharia urbana de trânsito, que criando mais vias na cidade o trânsito voltará a fluir normalmente. Uma ilusão, pois sabemos, nenhuma grande cidade consegue absorver o número enlouquecedor das maternidades de carros que aumentam e duplicam a cada ano. Nada é mais atrativo e persuasivo do que o automóvel para a sociedade brasileira, o “cara” pode morar em um barraco, mas sempre sonha em ter  primeiro um carro depois uma casa com laje.

O transporte alternativo ainda é uma piada para quem anda de carro e para quem planeja a cidade de Salvador. Muito se fala da bicicleta com meio de transporte, mas pouco se faz ou será feito na prática, a não ser pequenas ciclovias ou ciclofaixas que não leva a nada, a lugar nenhum…

Em uma conversa de amigos que possuem carros e que não são ciclistas posso apostar a minha bike nova, que nenhum deles está disposto a deixar o carro para se arriscar pela cidade mesmo que se criem novas ciclovias. A bicicleta é vista pela classe média que anda de carro como algo exótico e desconfortável para a grande maioria e não algo fundamental, assim como um transporte coletivo de qualidade para que a cidade possa sobreviver nos próximos anos . Esta mudança de conceito será feita em outras gerações, quando o alternativo será a lei de sobrevivência, como foi a China com relação a quantidade de filhos, o carro é um veneno para a cidade, mas mesmo assim vejo pessoas em seus autos, lentos, sozinhos encubados dentro do aço, cada qual no seu, falando em seus i pods no trânsito do Rio Vermelho, uma contradição masoquista. “Oi amor estou aqui sofrendo no trânsito, mas jamais mudarei meu hábito, prefiro malhar na academia, lá é mais seguro e tem toalhinha.”

Andar a pé é outra aventura em Salvador, recomendo usar uma bota de trekking e ter cuidado ao dividir a calçada com camelôs e fios acima de sua cabeça. A lei é não ter lei. Adoro a av. Sete e odeio a av. Sete, não dá para andar sem se bater com gente, gritos alucinantes de caixas de som, divido a rua com um carrinho de pipoca e o passeio com um vendedor de bolsas. Aos poucos a capital baiana vai perdendo sua identidade, sua ginga, sua beleza, sua historia virando algo pasteurizado, cheios de caixões de diversão travestidos de shoppings centers.

Algumas pessoas dizem que eu não gosto de Salvador e que nunca gostei, mas isto é uma meia verdade, tenho orgulho em ser da Bahia, mas me decepciono por ela permanecer igualzinha quando eu tinha catorze e agora ainda pior, sem o seu jeito descontraído, sua alegria, com um carnaval de rua cartelizado e que aos poucos vai sendo levado para o Rio de Janeiro.

O papo da copa chega a ser uma piada, pois a única coisa nova até o momento é a arena Fonte Nova, no mais tudo igual… Devemos ser otimistas, me obrigam dizer os otimistas, mas não sou tolo de pensar que Salvador estar no caminho certo, o caminho para tudo isto é taxar o uso de carros ao entrar no centro da cidade, reprimir o uso da metralhadora de quatro rodas. Usar o carro sim, mas com inteligência e sabedoria, ai vamos poder cantar novamente a música de Dorival, Bahia terra da felicidade.

  Texto: Dimitri Vianna