Perguntas e Respostas –

Escrito por Lucia Saraiva em . Publicado em Dicas

Perguntas freqüentes enviadas pelos leitores do site à Escola de Bicicleta

Pedalar pode combater a obesidade? 

A resposta é sim, pedalar ajuda muito a organizar o metabolismo porque é exercício aeróbico de baixo impacto que proporciona sensação de liberdade e ainda trabalha o equilíbrio geral do corpo, a bem dizer equilíbrio de corpo, mente e alma.

A Bicicleta leva ao encontro da tranqüilidade, diminuindo a ansiedade, o que ajuda muito no controle da obesidade. Mas pedalar pode não levar a uma rápida perda de peso. A queima de gordura do corpo ocorre numa determinada faixa de ritmo da freqüência cardíaca do ciclista pedalando de forma constante por um determinado tempo. Na bicicleta, quando se pedala pelas ruas, é mais difícil manter-se nessa faixa por um tempo mínimo para a queima de gordura. É preciso ajuda profissional, um pouco de treino e um bom monitor cardíaco para que o ciclista aprenda a perder peso de forma mais eficiente enquanto pedala. Nesse caso uma boa caminhada é mais eficiente.

Consulte um médico e saiba suas condições para uma queima mais rápida de gordura.

A Escola de Bicicleta tem por único intuito orientar na escolha da bicicleta correta para o obeso, e nada mais.

E a bicicleta, qualquer uma serve?

Dependendo do peso do ciclista não é qualquer bicicleta. Bicicleta de magazine, supermercado ou qualquer modelo básico e baratinho fabricado no Brasil a Escola de Bicicleta não recomenda nem para crianças. Quebram muito fácil e por isto chegam a ser perigosas. Infelizmente não há dados oficiais, mas quem trabalha nas ruas do trânsito urbano e de estradas sabe que o percentual de falha mecânica destas bicicletas mais simples é muito alto, em alguns casos, absurdo. O pessoal de rodovia diz que pelo menos 35% dos acidentes são causados por falha mecânica da bicicleta, incluindo aí bicicletas novas, zero km. Estas bicicletas mal agüentam ciclistas de peso normal ou até abaixo do normal; são totalmente impróprias para ciclistas pesados.

Quanto é ser “pesado” para uma bicicleta (brasileira)

Para a bicicleta brasileira, alguém com peso acima dos 90 kg. E deve-se colocar outro fator aí; que é qualidade técnica do ciclista, que faz uma grande diferença no nível de stress que a bicicleta sofrerá ao rodar. Mas para ciclistas normais, leigos, ter como ponto de referência de fragilização da bicicleta por volta de 90 kg é uma boa medida, já que com este peso as rodas e pedais sofrem muito ao descer de uma calçada. Muito provavelmente o projeto das bicicletas básicas leva em consideração a estatura média do homem brasileiro, portanto 1,75 m aproximadamente, ou seja, um ciclista com uns 75 kg ou 80 kg.

Basta sair para a rua e ver que a maioria das bicicletas básicas teve suas rodas modificadas para serem mais resistentes. Uma olhada com mais atenção vai mostrar que a maioria dos selins também foi trocado. E assim vai. Enfim, bicicleta básica baratinha não agüenta.

Afinal, que bicicleta comprar? 

A resposta mais acertada, principalmente no caso dos obesos é “qualidade”. O Brasil criou um padrão de qualidade há pouco, que teoricamente atende aos padrões do mercado internacional, mas que não é obrigatório. Só quando se entra nos modelos topo de linha, nas bicicletas que concorrem diretamente com as importadas, o padrão internacional é realmente respeitado. Portanto a resposta para a bicicleta que agüenta um obeso é qualquer uma que seja vendida no mercado norte-americano ou europeu, onde a maioria da população é grande, normalmente mais pesada que o brasileiro, e não raro obesa para valer. O preço é bem mais alto que uma básica, pelo menos umas 3 ou 4 vezes mais, mas acaba compensando cada centavo. Muito provavelmente nenhuma peça terá que ser substituída por muitos anos. Na verdade elas acabam custando mais barato que uma básica até para ciclistas leves. No caso de obesos há outra vantagem que é ser muito mais em conta que qualquer tratamento médico.

Algum modelo em especial?

Respeitar a altura do ciclista é ponto básico em qualquer compra, mas no caso do obeso deve-se observar outros aspectos. O selim provavelmente terá que ser mais largo para oferecer melhor apoio. A posição tronco do ciclista no pedalar deve ser mais em pé para evitar que a gordura da barriga atrapalhe o funcionamento do diafragma, portanto a respiração. E dependendo do grau de obesidade é muito importante que o ciclista consiga parar com os pés completamente apoiados no chão.

A Electra, que não é uma bicicleta elétrica, redesenhou a geometria do quadro para atender o público que não pedalava porque tinha medo de cair na hora de parar a bicicleta. O resultado, genial, está no site www.electrabike.com, e o modelo chama-se Townie (foto); no site existe uma explicação sobre o que a Electra chama de “Flat Foot Technology”. Com esta nova geometria o ciclista consegue parar com os pés completamente apoiados no chão sem ter que pedalar com o selim baixo e as pernas muito dobradas. Tem a vantagem de melhorar o equilíbrio do ciclista e a estabilidade geral da bicicleta porque o centro de gravidade fica mais baixo e a distancia entre eixos mais longo que em um modelo convencional. O resultado é um rodar mais macio que as bicicletas convencionais, porém mais lenta nas curvas e difíceis numa subida. Mas creio que seu médico vá recomendar que você comece em trajetos mais planos para evitar maiores esforços para o coração. Com o tempo a condição geral melhora e provavelmente você irá querer vencer outras etapas, e a partir daí talvez começar a pensar numa bicicleta mais esportiva. Mas como sempre repetimos: um passo por vez. Pense a longo prazo que os resultados virão antes do que você imagina.

Dicas importantes na escolha da bicicleta

  • Não recomendamos o uso de pneus finos e de alta pressão. O ideal são pneus 2.1 ou até mesmo 2.2, próprios para mais de 45 libras, bem balão, que absorvem melhor as irregularidades do pavimento. Pneus de baixa pressão, como os nacionais para 36 libras, vão fazer o aro tocar no chão com certa facilidade.
  • Suspensão dianteira é uma boa opção.
  • Um selim próprio para peso pesado, com molas, ajuda muito e não é difícil encontrar.
  • Não recomendamos a suspensão traseira no primeiro estágio, ainda sem prática de pedalar e muito obeso, por duas razões: o movimento central vai ficar muito alto em relação ao chão, o que é um problema na hora de parar, e principalmente porque só os amortecedores topo de linha agüentam bem muita carga.
  • Os freios tem que funcionar adequadamente, mas não necessariamente um freio a disco. Vários modelos de freio a disco são menos eficientes que bons freios modelo “V” brake ou “direct pull”, que são os convencionais com sapata. Aliás uma boa sapata de freio faz muita diferença.
  • Marchas? Sempre é bom, mas se o médico recomendar pedalar no plano as marchas talvez sejam dispensáveis. Alguns modelos importados vem com 3 marchas no cubo traseiro, que já ajuda muito e dá menos trabalho que as de câmbio externo, típicas de nosso mercado.
  • Se você optar por uma bicicleta importada, principalmente as distribuídas no mercado norte-americano e europeu, provavelmente não terá que se preocupar com nada disto. É sentar e pedalar.
  • Fonte: http://www.escoladebicicleta.com.br/acimadopeso.html

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