Tipos de bicicletas para o cicloturismo

Escrito por Bruno Riggs em . Publicado em Dicas

Qual é a bicicleta ideal para o cicloturismo ?

Como costuma dizer o grande amigo e cicloturista Alê Rizzo, a melhor bicicleta é aquela que está rodando, que está te levando para os lugares. A pior é a que fica empoeirando na garagem. Brincadeiras a parte, o que ele quer dizer com isso é que você pode fazer cicloturismo com qualquer tipo de bicicleta. O cicloturismo já existe desde a invenção da bicicleta e já foi feito com todos os tipos de bicicleta. Portanto, o que temos que pensar é qual tipo de bicicleta é mais adequado para determinado tipo de cicloturismo. Vamos comentar aqui os tipos mais comuns, ou pelo menos os mais utilizados pelos viajantes. Preste atenção que os termos chave neste assunto são: desempenho em distância, versatilidade de terrenos e conforto.

Para começar, já vamos dizendo que não existe um tipo de bicicleta que consiga ser a melhor nestas três categorias ao mesmo tempo. Estradeira ou Road Bike No Brasil a bicicleta estradeira é mais conhecida como bicicleta speed. Este neologismo utilizado aqui não é usado nos países de língua inglesa.

Lá o termo mais parecido que existe são as single speed que são bicicletas sem câmbios, sem freios e sem sistema de roda livre para serem utilizadas dentro de velódromos, e portanto não têm nada a ver com as speeds de que estamos falando. As estradeiras são bicicletas projetadas para rodar em asfalto liso, impecável. Elas têm o pneu muito fino, liso e com alta pressão. Isto faz com que haja pouco atrito com o solo e que ela tenha um alto desempenho.

Significa que com pouca energia você tem um grande deslocamento. Porém, ela não se dá nada bem com buracos, areia ou estradas de terra. A posição do ciclista, que fica apoiado no guidão curvado para baixo, é própria para reduzir o atrito com o ar e por isso muito boa para quem quer correr. Mas ao longo de muitas horas ou muitos dias, o ciclista que não esteja muito acostumado pode sentir um grande desconforto e por vezes até ter problemas mais chatos como dores nas costas, no pescoço ou nos punhos.

Quanto à sua geometria (medidas e ângulos), podemos dizer que elas são bastante estáveis, pois são projetadas para andar longas distâncias, o que é uma característica desejável para o cicloturismo. Seus pneus, aros e raios, com a medida chamada de aro 700, são um pouco maiores dos que os de uma montain bike e não são tão fáceis de encontrar em qualquer canto por aí.

Portanto a estradeira geralmente é mais utilizada por cicloturistas que pedalam em rodovias com bom acostamento e percorrem uma longa distância diária. É mais comumente utilizada por ciclistas profissionais ou semi-profissionais em desafios de longa distância em curto espaço de tempo, rodando uma média de mais de duzentos quilômetros por dia e contando com carro de apoio.Montain BikeSem dúvida a montain bike é a bicicleta mais utilizada pelos cicloturistas no Brasil. Aliás o cicloturismo só deslanchou no país depois da chegada deste tipo de bicicleta, no final dos anos oitenta.

Os melhores lugares para a prática de cicloturismo no Brasil no geral possuem asfaltos de baixa qualidade ou são estradas de terra. São os locais com menos movimento de carros e geralmente com mais atrativos. A montain bike tem características que a permitem rodar em qualquer tipo de terreno.

Seus pneus mais largos e com menor calibragem dão conta de terrenos muito irregulares sem maiores problemas. Sua geometria é mais agressiva (e portanto menos estável), pois ela foi projetada para desviar com agilidade de obstáculos numa trilha. Também é utilizada com freqüência por este motivo como bicicleta urbana para enfrentar o trânsito onde muitas vezes é necessário reações rápidas.

Os pneus de 26” são um pouco menores e por isso mais resistentes a impactos. Não possui um alto desempenho no asfalto, a não ser que se utilizem pneus bem finos e com muita pressão.

Por isso, ela não é ideal para quem quer rodar o máximo possível e sim para quem quer ir em qualquer lugar. Suas medidas e peças são o padrão nacional, o que por si só já faz muita gente optar por ela. A maioria das montain bikes hoje vêm com suspensão dianteira. A utilização da suspensão ainda não é consenso entre cicloturistas. Muitos ainda preferem o “velho” garfo rígido que passa um pouco mais de confiança, pelo menos para as longas jornadas em locais sem recursos. Uma coisa é certa, entre uma suspensão de baixa qualidade e um garfo rígido o melhor é optar pelo segundo, para não correr risco de ficar na mão, ou sofrer um acidente.

A montain bike também tem outra característica importante: a relação de marchas é bem reduzida, o que faz toda a diferença numa subida com a bicicleta carregada. Quanto à ergonomia, a posição do ciclista vem se tornando um pouco mais confortável de uns anos para cá, mas, muitos cicloturistas ainda acham a altura do guidão muito baixa em relação ao selim e acabam fazendo alterações na mesa e no próprio guidão para tentar resolver este problema.

Híbridas

As bicicletas híbridas possuem características mistas das road bikes e das montain bikes. Costumamos dizer que elas têm as qualidades e os defeitos das duas. Ela possui ângulos intermediários entre os dois tipos, o que garante estabilidade mas sem perder totalmente a agilidade. Possui boa performance no asfalto e funciona bem até certo ponto num terreno irregular. Geralmente utilizam o aro 700, o que talvez seja ainda um entrave para sua aceitação no Brasil, uma vez que ainda são difíceis de encontrar aros e pneus de reposição. Os pneus um pouco mais largos do que numa estradeira (mas ainda mais finos do que na mtb) costumam ser mistos também, para dar chance do ciclista intercalar asfalto e terra. Mas é importante não se iludir pois em condições mais difíceis de terreno, como areia, barro ou cascalho solto, a híbrida não vai reagir como uma montain bike. Existe uma categoria de híbridas que na Europa e nos Estados Unidos são usadas para o cicloturismo. Elas possuem bagageiros, pára-lamas e o guidão mais alto.

Full Suspension

Poucos cicloturistas utilizam a full suspension. A característica principal que atrai nela é o conforto em terrenos muito irregulares ou para pessoas com dores nas costas. As suspensões na frente e atrás funcionam como filtros que fazem o terreno parecer mais liso. A maior dificuldade relacionada a ela é a colocação do bagageiro. Só existem duas opções, ou se coloca o bagageiro na própria estrutura da suspensão ou preso no canote do selim. Enfim, se possível escolha a bicicleta mais adequada para o seu estilo. Se tiver a oportunidade, teste os diversos tipos. Porém o mais importante de tudo é que não ter condições de comprar a bicicleta ideal nunca foi desculpa para não fazer cicloturismo. Talvez você tenha que adaptar um pouco o seu roteiro para a bicicleta que você tem, mas não fique em casa assistindo televisão. Lembre-se que neste momento existem várias pessoas viajando com as bicicletas mais simples que você possa imaginar, e com certeza estão curtindo muito.

Fonte/créditos: http://www.clubedecicloturismo.com.br/

Tags:, ,

Trackback para o seu site.

Bruno Riggs

Bruno do Nascimento Santos Pereira possui graduação em Sistemas de Informação pela Faculdade Hélio Rocha. Bruno Riggs